quinta-feira, 10 de junho de 2010

A Excelência do Ministério - Lição 11

INTRODUÇÃO

"Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças..." - Ec 9.10

O profeta Jeremias achava-se encarcerado [Jr 36.5] e então a mandado de Deus [Jr 36.1-2], escreveu num rolo “todas as palavras” [Jr 36.2], que Deus lhe mandou profetizar contra Judá e às nações circunvizinhas, desde o principio de seu chamado, i.é., “desde os dias de Josias...” [Jr 36.2]. Para isto o profeta Jeremias usou o seu fiel escriba, Baruque [Jr 36.4-5]. No período neotestamentário denominou-se a esta função de amanuense.

Baruque cumpriu a missão que lhe foi outorgada [Jr 36.8] e foi mais além, após escrever foi corajoso e destemido ao também ler todas as profecias no templo, conforme o verso 6.

O destaque vai para estas palavras: corajoso e destemido, uma vez que o Profeta Jeremias havia sofrido, sido ferido ao profetizar estas mesmas palavras [Jr 20.2] e Baruque o sabia muito bem.

Também vemos a misericórdia e o amor divino presentes nos versos 3 e 7, quando da possibilidade de haver arrependimento da nação judaica diante das palavras de Deus e da sua ira anunciada. Contudo, até se preocuparam [Jr 36.17], mas “não temeram, nem rasgaram as suas vestess, o rei e todos os seus servos que ouviram todas aquelas palavras” [Jr 36.24]. Mais: além de não dar ouvidos, ainda o rei queimou o rolo e deu ordem de prisão a Jeremias e a seu escriba Baruque [Jr 36.23-26].

I. QUEM ERA BARUQUE

1. Pertencia à nobreza de Judá - Baruque em hebraico: "Abençoado". Sabemos pouco dele. Foi escriba e arauto, uma espécie de secretário a serviço do profeta Jeremias [Jr 32.12; Jr 36.4; Jr 51.59]. Era da tribo de Judá [Jr 51:59] e irmão de Seraías, camareiro-mor do rei Zedequias [32.12]. Foi a ele que Jeremias ditou as suas profecias relacionadas com a invasão dos babilônicos e sobre o cativeiro. Foi isto que ele leu ao povo de uma janela do templo, no quarto ano do reinado de Joaquim, rei de Judá [Jr 36.1-32]. Mais tarde, leu-o perante os conselheiros do rei. Depois este rolo foi lido ao próprio rei que, tendo ouvido apenas parte do rolo, o cortou e o atirou para o fogo que havia no braseiro da sua casa de inverno, onde ele estava assentado.

Durante o cerco de Jerusalém, por Nabucodonozor, foi ele quem guardou o auto de compra que Jeremias fez do território de Hanameel [Jr 32.12-14]. Sendo acusado pelos seus inimigos de favorecer os caldeus, foi preso juntamente com Jeremias, onde ficou até à captura de Jerusalém [586 a.C.]. É provável que tenha morrido em Babilónia.

Certamente recebeu treinamento, talvez pelo próprio Jeremias. Bem educado e preparado para escrever e ser arauto, o que fez com excelência [Jr 36.8].

2. Era um jovem culto e bem educado - Baruque escreveu e anunciou muito bem todas as profecias trazidas pelo profeta Jeremias. Usou sua erudição e unção divina a serviço de Deus, inclusive, após ser queimado o primeiro rolo, ele por ordem de Jeremias, o fez outra vez e com mais palavras ainda [Jr 36.28, 32].

II. A CORAGEM E O ZELO DE BARUQUE

1. Cuidava dos negócios particulares de Jeremias - Em Jeremias 32.10, o profeta simplesmente delegou a Baruque e confiou em seus serviços.

2. Registrava fielmente as palavras de Jeremias – Registou também todas as palavras que Deus deu ao profeta Jeremias, não somente uma vez, em um rolo que uma vez queimado teve que outra vez ser reescrito, inclusive com acréscimos [Jr 36.32].

3. Lia as palavras de Jeremias - Moisés tinha Arão, Paulo teve Tércio como escriba [Rm 16.22] e Jesus Cristo teve os autores dos Evangelhos sinóticos. O profeta Jeremias teve Baruque como excelente escriba [Jr 36.8, 21]. Este cumpriu a sua missão com excelência e êxito.

III. A EXPECTATIVA DE BARUQUE É FRUSTRADA

Ser escriba à disposição de um homem de Deus, especialmente no período veterotestamentário, e ainda, em um tempo em que espiritualmente a nação estava morta, não foi fácil. Qualquer que seja a função exercida a serviço de Deus, gera a esta servo, muitas espectativas. Nosso trabalho é fazer nossa parte, plantar, semear...

1. A frustração de Baruque – Não podemos afirmar, com base bíblica que Baruque realmente teve boas espectativas e muito menos que se frustrou diante da negativa, i.é., da falta de temor, falta de arrependimento e de mdança de atitude, por parte do povo, dos príncipes e do rei [Jr 36.3, 7, 16, 23-25]. Contudo, é razoável dizer que ele possa ter tido expectativa.

Se considerarmos o sofrimento de Jeremias em Jr 20.7-9, veremos que o profeta tinha expectativas, contudo, confiava em Deus, conforme o registro em Jr 20.11. Um verso a considerar sobre uma possível expectativa de Baruque é Jr 45.3, onde ele diz: "Ai de mim, agora! porque me acrescentou o Senhor tristeza à minha dor: estou cansado do meu gemido, e não acho descanso". Entretanto, esse cáp. trata de uma profecia divina dirigida a Baruque, como conforto e segurança em tempo de invasão inimiga a Jerusalém.

2. A destruição de Jerusalém - Baruque também esperava viver numa cidade na qual viesse a ter possessões e, onde, tranquilamente, pudesse constituir um lar. É claro que tais coisas não constituem pecado. No entanto, tal demanda, naqueles dias, fazia-se proibitiva, pois o Senhor estava para destruir tudo o que plantara (Jr 45.4). Dessa forma, ter a alma como espólio, ou herança, já era um grande negócio.

3. O tratamento recebido por Jeremias - Se esperava ele descansar sob a fama e o prestígio de Jeremias, achava-se enganado. Pois o seu senhor era tratado em Judá como traidor. Haja vista a prisão que o profeta viu-se constrangido a amargar (Jr 38.6).

4. As acusações contra Baruque - Além do mais, pesava sobre Baruque uma gravíssima acusação. Os nobres de Judá supunham que as palavras de Jeremias eram, na verdade, de Baruque. Sendo ele um jovem nobre e culto, pensavam, encontrava-se a induzir o profeta a pronunciar todas aquelas profecias contra Jerusalém e contra o Santo Templo (Jr 43.3).

IV. SUCESSO OU EXCELÊNCIA?

1. A efemeridade do sucesso - Particularmente entendo que não fica bem, não é sensato, nem é salutar esta definição de “sucesso” a um verdadeiro servo de Deus, àquele que realmente persevera na doutrina dos apóstolos [At 2.42]. Aqui, cabe uma definição com menor expressão, porém sem demérito, como por exemplo: “reconhecimento”. Via de regra, Jesus Cristo nunca valorizou o sucesso, pelo contrário fugiu dele [Mt 4.24]. Os apóstolos, Paulo e os outros o imitaram.

2. A glória da excelência – Maldito o servo que persegue o sucesso assim como Demas [2 Tm 4.10], Elimas [At 13.6-10].

O que seria hoje um pastor ou ensinador cristão excelente? Está cada vez mais raro o pastor mestre [Ef 4.11], aquele que cheio de conhecimento e de unção divina, arrebata as pessoas para dentro de seu ensino, atrai a atenção e as pessoas para ser ouvido, sem ser politicamente correto.

Exemplos dos que atraíram multidão: Jesus Cristo [Mt 7.28; Mt 8.1, 18; Mt 9.8, 33]; Paulo [At 13.45; At 14.1; 15.12]; João Batista [Mt 3.5-7] e outros.

CONCLUSÃO - Baruque cumpriu toda a sua missão com êxito. Qual seja? Escrever num rolo todas as palavras proféticas e lê-las no templo ao povo, também cuidfar dos negócios de seu senhor, Jeremias, e, depois reescrever todas as profecias.

A nós, servos de Deus, façamos o melhor que pudermos, sem esperar mérito humano e crendo que Deus é conosco.

F. A. Netto                                              &                                   Soli Deo Glória

Fontes
1. LAHAYE, Tim. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. 1.ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2008, p.190
2. BEVERE, John. Assim Diz o Senhor? Como saber quando Deus está falando através de outra pessoa. 1. ed. CPAD, 2006;
3. MERRILL, Eugene H. História de Israel no Antigo Testamento. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2001;
4. Revista Ensinador Cristão. CPAD, Nº 42, P.41;
5. GOWER, Ralph Usos e Costumes dos Tempos Bíblicos. Rio de Janeiro, CPAD, 2002,
6- Bíblia de Estudo Plenitude. São Paulo. Ed. Sbb, 200;
7- Cf. ARCHER, Gleason L. Merece confiança o Antigo Testamento? São Paulo: Vida Nova, 1984, p. 298;
8- MACARTHUR, JR., John. Ministério Pastoral, Alcançando a excelência no ministério cristão. Ed. CPAD;
9- GONÇALVES, José. As ovelhas também Gemem. 1.ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2006
10- RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 475;
11- KULIGIN, Victor. Dez coisas que eu gostaria que Jesus nunca tivesse dito. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
12- ZUCK, Roy B. Teologia do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

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