quinta-feira, 15 de julho de 2010

As Funções Sociais e Políticas da Profecia – Lição 3

"E o Senhor, Deus de seus pais, lhes enviou a sua palavra pelos seus mensageiros... Porém, zombaram dos mensageiros de Deus, e desprezaram as suas palavras e escarneceram dos seus profetas..." - 2Cr 36.15-16
Sim! É verdade que na Lei [mosaica] e nos Profetas tem uma célula-mater: um modelo ético à política e à justiça social. A política, com vistas à ética administrativa baseada na direção teocêntrica, e, mais diretamente, praticada por homens obedientes a princípios divinos. Também é verdade que os profetas sempre combateram a injustiça social. Deus sempre ouviu o clamor dos injustos. Por muitas vezes fez uso de seus profetas para este fim.

Até pouco tempo éramos avessos à idéia de eleger cristãos para cargos eletivos. Isso entre nós mesmos. Talvez alguns cristãos ou pseudocristãos, disperdiçaram a oportunidade se conduzindo ilicitamente: escondendo dinheiro nas roupas íntimas, nas meias, sonegando impostos, etc. E muitos cristãos simplesmente não acreditam mais em políticos, mesmo que seja cristãos.

Sabemos que Jesus Cristo não veio plantar o Estado, mas veio plantar a sua Igreja. Também sabemos que a Igreja subsiste sem a política. A pergunta é: É posssível ser cristão político e não se corromper? E os projetos tipo pró-aborto, casamento homossexual?

Será que a Igreja não está perdendo a sua função de ser sal e luz do mundo, perdendo o foco, o alvo de sua missão principal de ganhar almas?

Veja bem, dedicamos até uma lição sobre a função social e política da profecia, quando sabemos que a política nacional e quiçá, internacional, aprova projetos que agradam ao mundo, torna lícito o que a Bíblia diz ser pecado e enquanto isto muitas almas estão caminando para o inferno. A Igreja está mudando seus alvos, com isso está avançando menos. O nosso Deus não é adorado nas tribunas políticas, lá Ele não é lembrado.

Particularmente, acho que perdemos tempo não tratando de outros assuntos mais importantes e urgentes. Erramos por muitos motivos: não conhecemos nosso Deus; somos preguiçosos; somos iletrados nas palavras de Deus, i.é., simplesmente não lemos a Bíblia; usa-se a Igreja para fins humanos e políticos em detrimento do ensino à obediência e à palavra de Deus; a EBD [Escola Bíblica Dominical] é mediana, para não dizer fraca... E nós? Estudando “As Funções Sociais e Políticas da Profecia”!

Ainda no campo político estamos plantando algumas sementes. Alguém disse: "Somos grandes, fortes, porém, desunidos". Na política os cristãos precisam ser unidos e fazerem as escolhas certas.

I. O PAPEL POLITICO E SOCIAL DAS PROFECIAS NAS ESCRITURAS
1. O profeta e o povo - O projeto de Deus é entendido como sendo o de separar, formatar um povo para si dentre todas as nações. Para isto se cumprir fez uso dos profetas, sendo o elo entre este povo e Deus. Nota-se que Moisés é proeminente nesta função, realmente sua atividade profética muito favoreceu ao povo. Digno de destaque é também Samuel, especialmente porque no seu tempo diz a Bíblia que a profecia era escassa [1Sm 3.1].

2. O profeta e o rei - Natã, Gade e Samuel são os destaques mais claros. Porém, lembremos também de José do Egito, que foi usado por Deus em favor do povo. Ezequiel {Ez 1.1} que estava no meio dos cativos, também profetizando de forma a bem conduzir o povo. Daniel também {Dn 1.1-4} também profetizou quando levado para a terra dos caldeus, e, isto para que até no cativeiro houvesse profetas de Deus intervindo e trazendo as palavras de Deus ao rei e ao povo. O rei Herodes {Mt 2.3-5} também foi contemplado com o cumprimento da profecia do profeta Miquéias {Mq 5.2}: o nascimento de Jesus Cristo, contudo, dessa benção predita por Miquéias o rei Herodes não desfrutou.

3. O profeta marginalizado - É verdade e há pouco o que se falar. Ah se o rei Davi tivesse ouvido a Natã antes de pecar. Ah se o rei Saul tivesse ouvido ao profeta Samuel, não teria este oferecido holocausto no lugar do sacerdote {1Sm 13.9}, não teria Saul matado os sacerdotes {1Sm 22.18}. Ah se o rei Zedequias tivesse ouvido a Jeremias {Jr 52}. De fato, tristemente e para a desgraça dos reis, talvez até porque o poder lhes tenha dominado e os tornado surdos, os reis não ouviram aos profetas de Deus e se deram mal.

II. O PROFETA É ENVIADO AO REI
1. O princípio do fim do reino de Judá - A leitura de 2Cr 36.11-16, principalmente o verso 16 é muito importante na compreensão deste tópico. Nós vamos entender que o rei nada fez ao ver a corrupção do povo, que Deus se compadeceu e lhes mandou profetas, contudo, zombaram e desprezaram as profecias dos homens de Deus. Talvez deram ouvidos aos pseudoprofetas.

O comentarista cometeu um equívoco aqui: Joaquim é o nome que Faraó Neco deu a Eliaquim, filho de Josias, quando o fez rei em lugar de Josias seu pai  [2Rs 23.34]. Zedequias é o nome que Matanias recebeu de Nabucodonosor, rei da babilônia, quando foi estabelecido rei em lugar de Joaquim [2Rs 24.17]. Este já é o 2º equívoco encontrados na lição!
 
2. Profecia dirigida ao rei [Jr 34.2; 2 Cr 36.15-16; Jr 37.7] - A pergunta à resposta óbvia é: Porque dirigida ao rei? Simples. O rei deveria reinar o povo de Deus em obediência às leis divinas. Seria um reinar humano baseado nas leis divinas. Por não dar ouvidos aos profetas é que houve o cativeiro.
 
3. O destino do rei Zedequias é anunciado [Jr 34.3 21] - O rei Zedequias não dar ouvidos às profecias, desobedece a Deus, tenta aliança com o Egito [Jr 42.14-17] e cumpre-se a Profecia de Deus [Jr 52]. Em suma, ao que ouve as palavras de Deus e não as obedece, endurece o coração, como o rei Zedequias, este é entregue nas mãos do inimigo. Exemplos não nos faltam: Caim [Gn 4.8]; Judas Iscariotes [Jo 17.12]; O jovem que possuiu a sua madrastra [1Co 5.1,5]; Ananias e Safira [At 5], etc.

III. A QUESTÃO DE ORDEM SOCIAL
1. A liberdade dos escravos hebreus - O rei Zedequias vendo Jerusalém cercada e sem reação, resolve fazer libertar os hebreus escravos. Sim, havia hebreus escravos de hebreus [Jr 34.9]. Esta profecia nem precisava ter vindo, conquanto, estava na lei mosaica [Ex 21.2; Dt 15.1-28]. Aqui soa o alerta: será que nos lares os maridos não estão tornando escravos esposa e filhos?; será que a administração da Igreja não está tornando escravo os professores? É a dura, triste e cruel realidade...

2. A alforria dos escravos é cancelada - O verso 11 de Jr 34 é intrigante, diz que "se arrependeram..." de decretar alforria. Aqui é fácil de entender: Jerusalém estava cercada pelos caldeus, porém, Zedequias se aliança a Faraó, rei do Egito e este vindo em socorro dos hebreus, cessa o cerco, e estes não creem nas profecias de Jeremias que após libertar seus escravos, voltam atrás e isto foi abominável a Deus, porque esta aliança de libertação foi feita no templo, diante de Deus [cf. Jr 34.15-17].

3. A indignação divina - Jr 34.17 diz: "...pois eis que eu vos apregoo a liberdade, diz o Senhor, para a espada, para a pestilência, e para a fome...". Devido à desobediência Deus os entregou à espada, pestilência e à fome. Estas palavras falam de guerra, doenças e miséria. Todas culminam com a morte.

Uma vida sem Deus é uma vida limitada. Aquele que obedece a Deus é vencedor na guerra contra as hostes infernais. Aquele que obedece a Deus, pode até adoecer, porém, bate no peito com coragem e brada: 'Deus honra a minha fé', "Filho de David, tem compaixão de mim". Aquele que obedece a Deus se alimenta do Pão da vida e bebe da Água Viva, este alimento que dá vida hoje e eternamente. Sugiro ainda o professor ler os subsídios no final da lição.

CONCLUSÃO - Os profetas, mesmo não sendo ouvidos e atendidos nas suas palavras, deixaram estas registradas para o ensino perpétuo até a volta do Messias.
Soli Deo Glória
F. A. Netto.

Fontes
1. BEVERE, John. Assim Diz o Senhor? Como saber quando Deus está falando através de outra pessoa. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2006;
2. Dicionário Bíblico Wycliffe. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2006;
3. Revista Ensinador Cristão. CPAD, nº 43, p.37.o, CPAD, 2006;
4. Bíblia de Estudo Plenitude. Sbb, Edição de 1995. Barueri-SP, 1526p;
5. Bíblia digital de Estudo Ilúmina Gold;
6. Cf. CULVER, R. Robert. Verbete: Nabh’. In HARRIS, L. R. (et al) Dicionário internacional de teologia do Antigo Testamento. SP:Vida Nova, 1998, p. 905;
7. Cf. DAVIDSON, F.; SHEDD, R. P.[eds.] O novo comentário da Bíblia. 3. ed., São Paulo: Vida Nova, 1997, p. 1318.

2 comentários:

  1. Netto,

    Não sabia que você também era blogueiro. Gostei de conhecer o seu blog. Depois faça uma visita ao meu blog, comecei a partir desta revista a postar alguns comentários sobre a lição da EBD.

    Um abraço na paz do Senhor

    Pr. Juber

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  2. Pr Juber, bem-vindo, já agradeço pela visita e comentários.

    Att.,

    Profº Netto, F.A.

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